30 novembro, 2016

Filipe VI perdeu a oportunidade de referir a "Jangada de Pedra" e eu ia aplaudir?

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«Quanto melhor vá a Europa melhor irão Portugal e Espanha ... quanto melhor sigam Espanha e Portugal, melhor caminhará a Europa»
Filipe VI, hoje em São Bento
«...tentei demonstrar duas coisas; primeiro: a Península Ibérica tem pouco a ver com a Europa no plano cultural. Dir-me-ão que a língua vem do latim, que o Direito vem do Direito Romano, que as instituições são europeias. Mas o certo é que, com este material comum, fez-se nesta península uma cultura fortemente caracterizada e distinta. Segundo: há na América um número muito grande de povos cujas línguas são a espanhola e a portuguesa. Por outro lado, nascem em África novos países que são as nossas antigas colónias. Então imagino, ou antes, vejo, uma enorme área ibero-americana e ibero-africana, que terá certamente um papel a desempenhar no futuro. Esta não é uma afirmação rácica, que a própria diversidade das raças desmente. Não se trata de nenhum quinto nem sexto nem sétimo império. Trata-se apenas de sonhar – acho que esta palavra serve muito bem – com uma aproximação entre estes dois blocos, e com o modo de o demonstrar. Ponho a Península Ibérica a vogar para o seu lugar próprio, que seria no Atlântico, entre a América do Sul e a África Central. Imagine, portanto que eu sonharia com uma bacia cultural atlântica."

Entrevista concedida por Saramago a Inês Pedrosa, in Jornal de Letras 10-16/11/1986

29 novembro, 2016

Reflexões, no dia em que o orçamento foi aprovado...

Como tudo começou.


Como tudo tem avançado.


E os riscos de ambiciosos protagonismos...


«Independentemente do modo como a questão da Caixa foi tratada - e foi reconhecidamente mal - em aspectos que, não sendo de pormenor, também não têm uma importância exagerada, a verdade é que o Bloco rompeu a solidariedade de apoio ao Governo, juntando-se à direita reacionária para supostamente resolver, de acordo com as suas inabaláveis convicções , um problema que já tinha data marcada para ser resolvido.
É um acto que não pode deixar de ter consequências por afectar seriamente o princípio da confiança.»

José Manuel Correia Pinto, in facebook

28 novembro, 2016

«Um homem pode viver cem anos na cidade, sem dar por que morreu e apodreceu há muito»


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«Instalámo-nos, portanto, na cidade. Aí toda a vida é suportável para as pessoas infelizes. Um homem pode viver cem anos na cidade, sem dar por que morreu e apodreceu há muito. Falta tempo para o exame de consciência. As ocupações, os negócios, os contactos sociais, a saúde, as doenças e a educação das crianças preenchem-nos o tempo. Tão depressa se tem de receber visitas e retribuí-las, como se tem de ir a um espectáculo, a uma exposição ou a uma conferência.
De facto, na cidade aparece a todo o momento uma celebridade, duas ou três ao mesmo tempo que não se pode deixar de perder. Tão depressa se tem de seguir um regime, tratar disto ou daquilo, como se tem de falar com os professores, os explicadores, as governantas. A vida torna-se assim completamente vazia.»
Leon Tolstoi, in “Sonata a Kreutzer”
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Há dias assim, em que nos limitamos a imitar os outros