29 setembro, 2013

Redacções do Rogérito - 15 (Quando for grande hei-de votar)

Tema: As eleições e a abstenção

Ouvi ontem a dona Esmeralda a desabafar que não entende a vizinha do quarto andar que anda desolada cada dia mais empobrecida passa os dias a queixar-se da vida e agora vem dizer que não vai votar pois entre uns e outros tem andado a saltar e é tudo igual mas a dona Esmeralda diz que há gente diferente e que ela deveria apostar e que a Democracia é como diz o ditado que diz que Deus dá nozes a quem não tem dentes e eu acabo de perceber que se a vizinha do quarto andar quisesse mudar qualquer coisa até comia as nozes todas pois tem os dentes bem afiados e a dona Esmeralda já afastou qualquer hipótese de se tratar de uma prótese.

Receio que esta coisa do ditado popular não seja bem compreendida e lembrei-me de dizer de outro modo mais engraçado falando agora de um belo pássaro que entre um grão de semente e um de milho transgénico  não opta não pica não voa fica por ali à toa sentado como se tivesse perdido o juízo e a capacidade de voar. 

Eu quando for crescido chamarei às nozes um figo e já estou a apreender a voar. Boa?

Rogérito

27 setembro, 2013

Reenderecei este recado... encaminhei-o para as minhas filhas


RECADO AOS MEUS FILHOS

Se vos disserem que não há outro caminho,
Não acreditem!
Se vos disserem, para que neles votem,
Que não vão aumentar os impostos,
Não acreditem!
Se vos disserem que os contratos são para cumprir,
Porque o Estado é pessoa de bem,
Acreditem que eles só estão a falar das famosas PPP
E não das reformas que contrataram com o vosso pai.
Por isso, não acreditem!
Se vos disserem que a Cultura é a base fundamental
Para a evolução de um Povo,
Não acreditem!
Os 0,1% do Orçamento dedicados à Cultura
São a única verdade desta enorme mentira!
Se vos disserem que vivemos acima das nossas possibilidades,
Não acreditem!
Acreditem apenas que alguns tem vivido impunemente,
Em cima das nossas dificuldades!
Se vos disserem que basta votar em promessas
Para dizerem que estamos em democracia,
Não acreditem!
Democrático era demiti-los logo que não as cumprissem,
Porque só a gente honesta merece dirigir uma democracia!
Se vos disserem que tem de ser assim,
Porque há uma troika que está acima da vossa vontade,
Não acreditem!
Este país ainda é nosso!
E, acreditem, ainda é possível a honra e a dignidade
Que, ao longo dos anos, vos tentei transmitir,
Para que a Liberdade e a verdadeira democracia
Sejam para vós tão reais como o ar que respiram.
Acreditem que é possível mudar!
Se acreditarmos que temos a força necessária
Para lutar por uma vida onde caiba o sonho,
O trabalho, a cultura, a beleza, a solidariedade
E a esperança de um futuro onde possamos, todos,
Sentir que a luta valeu a pena,
Acordemos de vez para ela porque é esta a hora da Verdade!
Um beijo do vosso pai,

Fernando Tavares Marques

(poema lido no Comício de Encerramento da campanha CDU Oeiras)

22 setembro, 2013

Metamorfose - XIV (Céu, mar e o nosso pensar... )

Céu, mar e o nosso pensar

Muda o mar
Muda a onda que se rebela
Eu ela
Ela eu
O mar se comoveu
Perante um céu
Assim...

(fosse a realidade o mar
e seria tão fácil  mudar)

Rogério Pereira

19 setembro, 2013

Desabafos e certezas

A campanha iria bem se os valores fossem outros. O poder vai pender para quem pode, dizem. E há quem tenha dinheiro (sabe Deus vindo donde) e quem, mesmo não o tendo, o gasta. Gasta à farta. O eleitor, aquele e este outro senhor, vão decidir pelo que lhes entra no olho, dizem. Quem mais prometer e se mostrar é que vai ganhar, dizem. E a batalha está aí. Batalha no verdadeiro sentido da palavra, pois até chegaram a vias de facto. Mas batalha, também, para ver quem arrebanha mais gente... Quem tem mais outdoors com promessas de sonho... Mais veículos pintados, com rostos aperaltados... mais camisolas garridas oferecidas... mais passeios nas ruas e avenidas... mais comezainas e banquetes. Espectáculo. Triste e caro espectáculo, onde se espera que os construtores do empobrecimento e seus marionetas, figurantes e figurões, vençam.  Vencerão, dizem...
Em minha opinião, será grande a abstenção e enorme o nosso reforço. Reforço por que me esforço, com os valores que tarde ou cedo serão reconhecidos. O povo tarde ou cedo há-de acordar, digo.