29 abril, 2015

De acusações de azedume à citação de Brecht. Eu, Minha Alma e Meu Contrário e Ela, Seu Contrário e Sua Alma (bonito, isto)


Em tempos (há quase dois anos), julgo ter sido Sua Alma que em desespero de causa me falava, e dizia: "Com tanto azedume, NUNCA conseguirá desvendar o segredo da VIDA, nem tampouco a sua essência amorosa. Experimente desligar-se do negrume que lhe torna os dias escuros e deixe-se envolver por aromas, flores e adornos... Quem sabe assim, a ignorância dará lugar à luz do espírito. .." - escrito que me foi destinado num comentário..." Respondeu-lhe, o Meu Contrário, com um texto extenso e denso, enquanto Minha Alma não continha a sua ira e me segredava que Eu nunca mais tinha juízo. A questão foi serenada (para descanso da Minha Alma) e ficamos amigos.
Tempos passados, em lugares desencontrados e com troca dos "gostos" fortuitos (e não muitos) dou com um post dela naquele outro lugar onde Ela optou por estar. Tinha a imagem acima. Três, tal como me defino, e dizia:
«O rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem. "Bertolt Brecht"
Um dia criei um blogue, para escrever de mim para mim, coisas que a alma me ditava. Chamei-lhe "Vida Entre Margens". Depois, publiquei um livro e dei-lhe o mesmo nome.
Mas as palavras quiseram-se livres e soltas, então, resolvi deixar a vida transbordar para além das margens....e continuar a escrevê-la...
"Transpondo Margens"
Contra a loucura da minha pele, anuncio-me à vida e torno-me Pedra Filosofal. Bendita mistura alquímica, entre um pedaço do meu corpo e o seu avesso.
Há uma parte que me arde, como gotas de álcool em ferida aberta. Há uma parte que flutua, entre duas margens impostas pela vida, ao voo dos pássaros. Mas a outra, a que se diz ser (eu), transborda, como se transportasse dentro do peito, um oceano inteiro.
Decidi por vontade unanime das minhas duas partes, deixar os pássaros sobrevoarem os céus do meu rio. Soltei-os ao anoitecer, enquanto a lua se espelhava calma e serena sobre as minhas águas.
E a vida transbordou para além das margens que um dia, eu própria lhe impusera. Ao amanhecer, vi sois que anunciavam a infinitude de todas as coisas.
Ainda um pouco atordoada, juntei-me ao voo dos pássaros, unida em uma só pele, em uma só carne . Em uma só alma.»

28 abril, 2015

Confirma-se, mudar o mundo não custa muito... nem talvez demore muito tempo

O miúdo demonstrou-me que já conseguia mudar o mundo quando eu lhe disse que não custava muito, ressalvando, para não lhe transmitir irresponsável facilidade, que levaria tempo. Não sei se o convenci e, à sua maneira, ele tenta. 
Lembro ter escrito sobre este sucedido, numa altura semelhante a esta em que não tenho tempo sequer para me coçar. Entre uma tarefa e outra, veio uma notícia ter comigo. Veio do país do sol nascente, do qual eu já tenho falado tanto. E diz assim:

«...Pesquisas recentes mostram que quase 50% dos japoneses preferem o comunismo e acreditam que o capitalismo leva à pobreza e à fome. Diante deste quadro, o Partido Comunista tornou-se o segundo no Japão, o que alarmou analistas e investidores. Segundo a revista semanal de ultradireita The Economist, “nunca se imaginou que os comunistas japoneses poderiam chegar ao poder…”. A principal proposta do PC do Japão e o ponto central de seu programa de governo é o desmembramento da economia de mercado. Outras propostas incluem o fim da aliança com os Estados Unidos, o fechamento das centrais nucleares e a aprovação de medidas fiscais confiscatórias contra empresas. Apesar da relevância, a notícia ficou praticamente escondida nos principais meios de comunicação europeus, norte-americanos e brasileiros...»
E faz todo o sentido recordar palavras de Akira Miwa, então (2010) embaixador japonês:
“Há muitas semelhanças entre portugueses e japoneses (…) A maneira de ser, o modo de reagir é muito igual. À parte o nosso relacionamento histórico, temos muito em comum. O japonês é mais português que espanhol. Para nós a Espanha é um país muito interessante, sim, mas por causa da diferença. Portugal é como se fosse o Japão europeu".
Como o Japão europeu? Tomara eu!

26 abril, 2015

SLB! SLB! SLB! GLO_RI_O_SO SLB! (e o "mundo" parou frente à TV)

Confirmei hoje, o que realmente aconteceu ontem: que o transito não parou e funcionavam os semáforos; que os comboios respeitaram horários, e aviões, e os barcos; que a água correu nas torneiras; que os rios não de detiveram nas margens (só o fazendo nas barragens); que a dívida continuou  a aumentar; e que os poetas não suspenderam a letras, nem os tristes suspenderam as lágrimas; nem os desempregados deixaram de estar. Confirmei hoje, que tal como nos outros tempos, a realidade mente. Tudo mexeu, tudo mexe, e é dormente!

Mas...
Há uma dúvida que me resta:
ou, eu Mouro, ensino munta bem,
ou meus netos aprendem...
depressa


(claro que isto é repetido)

Chineses? Só?

Alguém bem conhecido disse a uma assembleia de olhos em bico que isto está melhor,  não sendo ainda um paraíso. Foi-lhe reconhecido o juízo pelos mesmos de sempre. Depois veio trazer notícias num formato que afirma não ser o seu, ainda. Cavaco, esse velhaco, terá gostado. A imprensa, hoje, deixou uma mensagem ao mesmo tempo bombástica e subliminar. O "arco do poder" vai gostar: o investimento estrangeiro está para continuar e os modelos defendidos acabam por, sendo antagónicos, serem compatíveis nos resultados. 
Repito: alguém conhecido gabava isto a uma plateia com os olhos em bico, lembrando que seria como já em tempos lhes tinha dito (a Costa o mérito de ser o pai da ideia)!

25 abril, 2015

"FESTA DE BELOS VENDAVAIS"


Estávamos num conflito de areias
desterrados no deserto
quando choveu
nas nossas bocas
uma certa água
e os cravos povoaram 
as ruas

mas foi por uma fresta
escancarada 
que te descobri
silvestre e breve
a resistir
no chão onde se despem as pétalas
que voam
sem limites

ainda hoje chove nas nossas bocas
uma certa efusão de cores
perfumes tresmalhados
e areias

mas és tu ABRIL
no mais íntimo dos silêncios
a minha festa de belos vendavais

Eufrázio Filipe / Mar Arável

22 abril, 2015

Pare-se a realidade para a fotografia do "cenário" não ficar tremida. O pior é a previsão do sisudo meteorologista! (será comunista?)



"Pode ser uma tempestade perfeita. Os riscos que existem hoje no mercado podem desencadear outra crise de proporções elevadas" - maldito aviso deste mal encarado meteorologista no mesmo dia em que o PS divulga a fotografia do tal cenário encomendado, que não deve ser confundido com o famigerado Programa, mas que faz vaticínios para uma década, enquanto a próxima semana se afigura mais que incerta. 
Qual tempestade? Qual realidade parada para não fazer tremer a fotografia?
Nem liguem às primeiras reacções, nem às segundas, nem às terceiras, pois não se deve confundir o tal PDF com o Programa do PS, diz o chefe.
Mas se não é, então é o quê?

21 abril, 2015

Ah, fossem o bem e o mal brincadeiras de crianças...

"Vamos brincar ao não-ser?" Perguntou-lhe ele e ela abanou a cabeça consentindo, mesmo sem saber o que era um "não-ser", nem as regras do jogo. Nem foi preciso pedir, ele explicou e definiu as regras e até as penalizações para quem as infringisse. "Um não-ser é um ser que existe sem se ver, pois cada um pode ser um não-ser sem se perceber que seja um não-ser". Ela olhou-o espantada, sem perceber nada. De qualquer modo quis ser uma fada, e ele consentiu. Depois ficou pensativo e decidiu ser um zumbi. Pegou-lhe na mão e foi pedir à mãe a adequada decoração. Com minúcia e arte cada um ficou pintado segunda a decisão tomada, ele zumbi e ela fada. Depois foram brincar. Ele fingia que tudo destruía, ela, a fada, que tudo reparava. Ele simulava que a todos matava, ela que a todos ressuscitava. Até que ele infringiu a regra que tinha definido de nunca fazer o bem, ao fazer uma festa à cadelita que quis entrar no jogo quando a regra era deita-lhe fogo. E logo ali tudo acabou. 
Ah, fossem o bem e o mal uma brincadeira de crianças!

20 abril, 2015

Poesia (uma por dia) - 77

paul éluard / liberdade

Nos meus cadernos de escola
no banco dela e nas árvores
e na areia e na neve
escrevo o teu nome 
Em todas as folhas lidas
nas folhas todas em branco
pedra sangue papel cinza
escrevo o teu nome
Nas imagens todas de ouro
e nas armas dos guerreiros
nas coroas dos monarcas
escrevo o teu nome
Nas selvas e nos desertos
nos ninhos e nas giestas
no eco da minha infância
escrevo o teu nome
Nas maravilhas das noites
no pão branco das manhãs
nas estações namoradas
escrevo o teu nome
Nos meus farrapos de azul
no charco sol bolorento
no lago da lua viva
escrevo o teu nome
Nos campos e no horizonte
nas asas dos passarinhos
e no moinho das sombras
escrevo o teu nome
No bafejar das auroras
no oceano nos navios
e na montanha demente
escrevo o teu nome
Na espuma fina das nuvens
no suor do temporal
na chuva espessa apagada
escrevo o teu nome
Nas formas mais cintilantes
nos sinos todos das cores
na verdade do que é físico
escrevo o teu nome
Nos caminhos despertados
nas estradas desdobradas
nas praças que se transbordam
escrevo o teu nome
No candeeiro que se acende
no candeeiro que se apaga
nas minhas casas bem juntas
escrevo o teu nome
No fruto cortado em dois
do meu espelho e do meu quarto
na cama concha vazia
escrevo o teu nome
No meu cão guloso e terno
nas suas orelhas tesas
na sua pata desastrada
escrevo o teu nome
No trampolim desta porta
nos objectos familiares
na onda do lume bento
escrevo o teu nome
Na carne toda rendida
na fronte dos meus amigos
em cada mão que se estende
escrevo o teu nome
Na vidraça das surpresas
nos lábios todos atentos
muito acima do silêncio
escrevo o teu nome
Nos refúgios destruídos
nos meus faróis arruinados
nas paredes do meu tédio
escrevo o teu nome
Na ausência sem desejos
na desnuda solidão
nos degraus mesmos da morte
escrevo o teu nome
Na saúde rediviva
aos riscos desaparecidos
no esperar sem saudade
escrevo o teu nome
Por poder de uma palavra
recomeço a minha vida
nasci para conhecer-te
nomear-te
Liberdade.
paul éluard
trad jorge de sena

17 abril, 2015

«O projeto para alterar a Constituição Portuguesa está agora nas mãos de... jornalistas!»

QUEM ÉS TU, UVA QUE PASSA?
Diz a Uva Passa, que se "passou" com a obscenidade expressa em letra de imprensa num espaço virtual (que por o ser, lhe impede o destino que ela lhe queria dar):
«Nem sei bem como começar isto.
Não sei se comece por dizer, e isto pode ser aziago, que são treze as propostas de alteração à Constituição Portuguesa feita pelos jornalistas do Observador, se refiro apenas 'algumas alterações' com a mesma displicência de quem esborracha a ponta do cigarro contra o passeio, ou se vá ali à Igreja dos Anjos pedir ajuda divina para esta gente, que ao que me parece, perdeu completamente a tineta.
Os jornalistas do OBSERVADOR, malta muito jovem - a ver pelo alarde que fizeram com o recrutamento de jornalistas com menos de 30 anos a semana passada -, saudável, sem preconceitos, e sem inimigos, além dos comunistas, resolveram armar-se em constitucionalistas, e fazer pelas suas próprias mãos, com uma pouco clara componente  de 'consulta popular', a revisão da Constituição Portuguesa.
Extraordinário.
E digo extraordinário porque perigoso, e até doentio, porque um jornal que cresce a cada dia e a cada dia se afirma como opinion maker, que é lido por milhares de pessoas, muitas deles jovens, tão jovens quanto os que lá trabalham, e que resolve de ânimo leve fazer um exercício de alteração da Constituição Portuguesa, e fazem-no, oh Lord!, baseado em princípios neoliberais vilanos que já todos, ou quase todos, perceberam onde nos fizeram chegar, dá-me assim valentes arrepios na espinha.
Com que então um Constituição apolítica, hem? Sim senhora, muito bem pensado.
E quereis também, porque não vos basta terem o Primeiro-Ministro, o Presidente da República e a Procuradoria Geral da República, tudo com o mesmo fardamento, que seja [de acordo com as vossas propostas] o Presidente da República (que pode ser a nossa atual amiba unicelular, ou quem sabe, uma amiba sem qualquer célula) a nomear o presidente do Tribunal de Contas, o Procurador-Geral da República, as chefias militares, o provedor de Justiça e ainda os sete juízes do Tribunal Constitucional.
Que bonito.
E, porque achardes pouco o que tendes, ainda quererdes ver esse desespero, que é meter a fruta [podre] toda na mesma cesta - o que foi um dos maiores erros da história da democracia em Portugal -, também escarrapachado no articulado da nossa Constituição.
E não vos chega a miséria nos hospitais e a morte nas urgências, a miséria no ensino e a morte da língua portuguesa, o desemprego jovem e as privatizações burguesas, a emigração idosa e a estagnação populacional, que também quereis a redução do elenco de direitos sociais e a desconstitucionalização do respectivo financiamento, consagrado na atual Constituição.
Calai-vos! 
Calai-vos porque vocês não sabem o que dizem.
E sabem o que é que eu, e outras pessoas como eu, faziam às vossas propostas jornaleiras que englobam, claro está, cai-vos a máscara, a redução da hiper-rigidez da Constituição e a flexibilização das normas sobre a revisão constitucional?
Que não fosse ele um jornal virtual, e eu uma pessoa de bem, e dizia-vos o que fazia.»

16 abril, 2015

A Dívida, o Euro e a Crise. [peço-vos algum trabalho, mas o que custa é o que Deus agradece...]

Em Dezembro, o "Económico" dava uma notícia não comentada pelos comentadores encartados e sem que qualquer outro órgão da imprensa lhe desse relevância. Era sobre a Argentina e o Equador: «Jorge Argüelo, embaixador da Argentina em Portugal, defendeu que a reestruturação da dívida naquele país foi "benéfica" e elencou os ganhos para o país ao lembrar que a taxa de desemprego passou de 24,7% para uma taxa que "não chega a 7%". Os salários reais aumentaram, o consumo subiu e o PIB cresceu, detalhou. Apesar de defender que "as reestruturações da dívida são como os divórcios" (ninguém casa para se divorciar, mas por vezes isso acontece), o embaixador deixou um aviso: "não existem receitas colectivas de reestruturação para todos os países". Ou seja, cada um deve fazê-lo à luz do seu enquadramento. Paola Pabón, deputada da Assembleia Nacional do Equador para o Movimento Alianza PAIS, veio a Portugal para falar do caso daquele país. O Equador reestruturou a dívida em 2008/2009, tendo revisto até os contratos feitos com as empresas petrolíferas. A parlamentar equatoriana afirmou que a Europa está agora a enfrentar as dificuldades que a América Latina teve há algum tempo e defende uma ruptura com o modelo neoliberal.» 

Em Março passado, o "Negócios" dava uma notícia não comentada pelos comentadores encartados e sem que qualquer outro órgão da imprensa lhe desse relevância. Era sobre a Islândia: «A crise no país foi profunda, com a riqueza a cair 10% em apenas dois anos e a taxa de desemprego a mais do que duplicar para um nível recorde de 11,9%. Mas as perspectivas agora são bem diferentes, com o FMI a antecipar uma queda da taxa de desemprego para 4% e a economia a crescer 3% ao ano entre 2015 e 2017, depois do país ter adoptada uma estratégia divergente da recomendada pelas instituições internacionais.»
´
Islândia, Argentina e Equador são situações diferentes e casos isolados? Mas... em que é que se parecem? E, se são isolados, porque não são propagados?
Eu estive na terça-feira aqui, e fiquei a pensar no que ouvi, sem esperar que os comentadores encartados lhe venha a fazer qualquer referência (nem a imprensa)...

15 abril, 2015

Aumentar a natalidade? Sim, claro! Só que... as propostas esbarram onde esbarram sempre!


Porque o Continente é contraproducente (em horários, em honorários e em trabalhadores precários) e porque é um padrão que influencia (quase todos) os modelos de gestão em toda a cadeia, desde o prado ao prato (e nada adequada às "uniões de facto") e porque patrocina um Percy Sladge para destinatários(as) fora de prazo... Por tudo isso, a natalidade regista preocupante atraso.
Não terá sido isto, propriamente, o discutido.  Mas, na verdade, é preciso fazer qualquer coisa. Quem ousa? Os mesmos de sempre, naturalmente!
E terão existido propostas assim:
«- Alterar o regime de concessão do abono de família, que desde 2010 foi retirado a mais de 1 milhão e 500 mil crianças por força da alteração das regras de concessão (medida PS);
- Alterar as regras de concessão do subsídio por maternidade e paternidade (ou parentalidade), pagando a 100% independentemente da modalidade da licença e revogar a disposição que retira o subsídio de férias e de natal do cálculo do subsídio por maternidade (medida PSD/CDS);
- Revogar todas as medidas que diminuem o subsídio de desemprego nos montantes e tempos de atribuição (PS, PSD e CDS-PP);
- Revogar a condição de recursos que impede milhares de cidadãos de acederem a muitas prestações sociais (inventada por PS, agravada por PSD e CDS-PP);
- Criar uma rede pública de creches, infantários, apoio a idosos e a pessoas com deficiência, de qualidade e a preços acessíveis;
- Reduzir o horário de trabalho para as 35 horas, para todos os trabalhadores, sem perda de remuneração.»

13 abril, 2015

Sair do Euro: a meia-resposta completa a outra meia. Por tanto, a resposta está inteira. O que falta é encontrar o caminho...

Dei ontem meia resposta à Joana, porque já lhe tinha dado inteira a outra meia que faltava. 
Por tanto, a resposta está inteira! «Mas onde e quando isso aconteceu?» pode a Joana e mais alguém perguntar. A resposta requer trabalho. Vamos lá?
Primeiro, nesse cantinho superior esquerdo, onde se sugere para "Pesquisar neste blogue" é só escrever "sair do euro" e pumba aparecem dezenas de posts. Mas se não quiser tal trabalho, não lhe ralho, e vá direitinho a um evento onde até dei a cara!


Os argumentos que faltam não é sobre se sair ou não, mas como sair. E não é fácil...

12 abril, 2015

Geração sentada, conversando na esplanada - 88 ("A Joana fez-lhe um pedido e até hoje nada lhe foi respondido!")

(ler conversa anterior)
«Se o País sair do Euro corre o risco de falir como a Islândia»
- Título do DN, Maio de 2010

«Islândia baixa desemprego para 4% e economia cresce 3,5% em 2015»
- Título do Jornal de Negócios, Março de 2015

A Teresa dominava as conversas na sua mesa. Ao lado estava um casal, calado. Depois compreendi-lhes o silêncio, interessava-lhes o tema da Teresa. Ela, depois de ter percebido a atenção que lhe era dada, elevou o tom da fala: «...e estes estupores farão com que haverá mais candidatos que eleitores... presidenciais, presidenciais. Irra, que é de mais!...»  A Gaby interrompeu-a erguendo o tablet «Já leram este gajo que apanhei comentando o "Conversa Avinagrada"? O gajo deve ser "anarca", mas tem marca. Ora oiçam: 
Eu, Rei dos Leittões e de Áquem Tejo, que não falo de presidenciais, afirmo solenemente, que não serei candidato à presidência da república. Eu, que não falo de presidenciais, afirmo solenemente que não votarei em nenhum candidato que fale de presidenciais. Eu, que não falo de presidenciais, afirmo solenemente, que sei o que eles todos querem. Eu, que não falo de presidenciais, acho que as presidenciais deviam ser antecipadas. Eu, que não falo de presidenciais, acho normal esta chuva de candidatos. Pudera!  A seguir ao Cavaco, qualquer um brilha!»
O engenheiro, até aí também calado, questionou-me com um ar de quem me censurava,
«A  propósito, você também embarcou em falar só das presidenciais. Por acaso já respondeu ao que a Joana lhe pediu, num comentário que lhe deixou?»,
 «Não! Estava a aguardar que mais argumentos ter, depois disto acontecer»,
e estendi-lhe o convite.


11 abril, 2015

"Aftenposten" não dá qualquer novidade... O que lá está escrito, tenho-o dito e redito. A curiosidade é que seja um jornal norueguês a escrevê-lo

Na edição de ontem do  jornal norueguês Aftenposten, numa notícia intitulada «O sucesso grego pode contaminar outros críticos da Europa», surge uma frase, ou imagem, curiosa: «em pé, sobre as patas de trás».
 002 - Cópia
Neste trecho, que fecha o artigo, pode ler-se:“... Nenhum líder europeu tem sido mais crítico do governo conduzido pelo Syriza em Atenas do que o primeiro-ministro de Portugal Pedro Passos Coelho. Ele descreve o plano do primeiro-ministro grego como uma aventura e ergue-se sobre as patas traseiras contra qualquer suavização do programa de reformas gregas.”
 https://ancorasenefelibatas.files.wordpress.com/2015/02/0021.jpg
Se o leitor quiser perceber o sentido da expressão “står på bakbenene” use o tradutor do Google e delicie-se. É mais do que certo ir dar ao famoso quadro de Jackob van Doordt: Ulrik (início sec. XVII). Que é bem sugestivo…
«Ulrik»
(post integralmente roubado num outro lado)

10 abril, 2015

Ainda é cedo, mas uma coisa é certa, não há mais sapos para ninguém!

Não tenho a notoriedade suficiente para ver ser sondada a minha disponibilidade enquanto possível apoiante de Sampaio da Nóvoa, tal como  aconteceu ao Samuel.
Segundo o testemunho do dito,  a figura de Sampaio da Nóvoa é-lhe simpática. A mim também. Já por várias vezes lhe ouviu, em publico, coisas que terá gostado muito…Eu, também (e até registei).
Ele e eu conseguimos imaginá-lo a substituir aquela infame cavalgadura que agora ocupa o cargo… transportando para Belém a cultura, a inteligência, o tacto, a simpatia de que já deu mostras… e só essa imagem deveria fazer com que nos atirássemos ao homem e não o largássemos mais… até o ver eleito.
Infelizmente, a vida é mais complicada… mas uma coisa podemos garantir:
Se o homem se nos apresentar numa segunda volta como o candidato que enfrenta a direita reaccionária dos "Santanas Lopes", dos "Marcelos", ou do ©∑πƒ®¥ø… aí nem tenho dúvidas!!! Não só votaremos nele, como, ao contrário do que já fizemos antes (pelas mesmas razões) votaremos com prazer! E eu, por mim, até diria que desistir em seu favor logo na primeira volta não é hipótese excluída, como também já aconteceu...
O Samuel termina com uma frase lapidar e eu termino igual: «Seja como for… ainda muita água vai correr sob as pontes (até sobre, em locais de cheias mais fortes) e, portanto, para já…»
Sobre o que pensa de tudo isto o PS? Não falarei disso, outros o fazem melhor do que eu!
PS - O Samuel que me desculpe por a citação são ser clara, mas quando falamos em coro não se distingue o que diz um e o que diz o outro

09 abril, 2015

Há buracos para todos os gostos, os espectaculares, os toscos, os bonitos e os que, se não saímos de lá, estamos bem... fodidos (palavra, esta, não-avinagrada. Mas desta vez, passa!)

1. O Grande Buraco de Kimberley (África do Sul) - É provavelmente o maior buraco escavado à mão. Tem 1 097 metros de profundidade. Cerca de 3 toneladas de diamantes foram extraídos deste buraco.
2. Buraco da Glória (Califórnia) - O Buraco da Glória de Monticellodfam é o maior turbilhão do mundo. Bombeia 5000 m3 de água por segundo.
3. O grande buraco azul ( Belize) - Este fenómeno situa-se a 40 km de Belize. Há vários buracos azuis no mundo, mas nenhum com tanto encanto como este.
4. O abismo da Guatemala - Em 2007 abriu-se espontaneamente este enorme buraco. 12 casas e 3 pessoas desapareceram lá.
 
O parlamento europeu (Bruxelas) - O parlamento europeu faz parte dos maiores buracos do mundo. Anualmente desaparecem aí milhões e milhões de euros provenientes dos nossos impostos...
Porque este espaço não é uma agência de turismo os buracos apresentados não devem ser tidos como propostas de destinos. Em boa verdade, e falando em destinos, trata-se de apontar o buraco em que estamos metidos e, se não saímos de lá, estamos bem... fodidos!

08 abril, 2015

Redacções do Rogérito 23 - "Carta a uma amiga quando ainda a não conhecia"

Tema da redacção: carta dirigida a uma amiga 

Maria João de Sousa, 
Quando for crescido quero ser teu amigo visitar o teu espaço para de quando em quando mandar-te um abraço e ler teus poemas quadras e sonetos daqueles em que  te empenhas ter a métrica certa e poder-te chamar-te poeta sorrir a seguir com a ironia de alguns e noutros juntar o meu grito ao teu grito que soltas sempre de um modo tão bonito. 
Quando for crescido quero falar contigo sobre as histórias que meu avô me contava e quero ler coisas do teu pois os avós são pessoas que nunca nos deixaram sós mesmo depois de terem partido. 
Quando for crescido quero fala-te das injustiças das malandragens e daquele senhor a quem chamam deus e que fez este mundo mal feito pois se o tivesse feito a preceito nunca deixaria que as pessoas padecessem de qualquer doença até porque esse sofrimento e martírio não depende daquela coisa esquisita a que chamam livre arbítrio e que quase sempre acontece a quem menos merece. 
Quando for crescido quero poder ajudar-te no que eu possa e no que te for preciso. 
Quando for crescido tenho a certeza que vou ter o sentimento de sempre te ter conhecido mesmo se nem por acaso nunca nos tenhamos encontrado e por aqui me fico 
um beijo 
do Rogérito
_______________
Nota: Se quiser contribuir para a minimização do martírio e ajudar no que possa, tem o caminho definido nos links na prosa

07 abril, 2015

As vendas, em saldo, contrariam as minhas "melhores" previsões...

Em Junho de 2010, baseado num mapa bem esgalhado (à esquerda) eu traçava a minha previsão do que seria a regionalização (à direita). E escrevia o que lá está escrito para depois eu próprio comentar nos comentários: "Portugal está à venda Mas ainda não foi comprado".
Meu Deus, como eu estava enganado, agora está em saldo: o coração do Al Garve vendido por um terço do seu valor.

06 abril, 2015

Sem chuva, o cheiro a terra molhada perdura como memória daquela tarde de Domingo de Páscoa.


Pelo jeito de pegar na enxada e a postura de a ela a se encostar ninguém diria que era de há pouco que o fazia. Até a forma como falava de que como amanhava a terra, enganava. Caso eu não o soubesse, diria que há muito que lidava com ela. 
Entre o xilrear dos pássaros, explicou-me o que fizera com a nogueira, enquanto lhe abria a água que a nutria, numa pequena torneira montada junto ao tronco. «Assim, não cresceu para cima, nem ficou com os ramos demasiado baixos» dizia, enquanto se encaminhava para as pequenas escadas que separavam os desníveis das terras. «Este desnível e a inclinação do terreno ajuda à rega, a água circula por acção da gravidade. A bomba serve apenas para puxar a água do poço para o depósito elevado e dele ao tanque, uso quase em todo o lado o processo "gota a gota"» e apontava os tubos e os pequenos repuxos aproveitado para lhes regular o caudal. Depois, num gesto largo «Ali tenho batatas, ali e ali também» e ia apontando o que tinha semeado ou plantado: couves, grelos, cebolas, alfaces, tomates, abóboras, xuxus, beterrabas. E detalhava cada canteiro com ervas de cheiro e tempero. Depois enumerava o que planeara: feijão-verde, cenouras e outras coisas que o vizinho, consultor das artes horticolas, lhe ia recomendado... Entardecia, era a hora da rega. Libertou a rolha entrapada que vedava a saída o tanque e a água soltou-se alegre percorrendo o caminho que lhe estava traçado. E foi um jogo hábil de tapa e descobre, cobre e destapa, levando o carreiro da  água até as verdes e promissoras verduras. 
O cheiro a terra molhada perdura como memória daquela tarde de Domingo de Páscoa.
_________________________________________
De regresso, ia pensando se não era com o amor à terra que a ressurreição dela pode acontecer, assim se somassem as terras e os esforços dos donos delas... E condenei-me por não lhe ter falado que o destino da agricultura familiar está longe de estar condenado... e de haver gente boa a lutar do mesmo lado.

05 abril, 2015

Domingo de Páscoa


«Vô, sopra!» Soprei e o encanto deu-se:


E a Páscoa passou, como se fosse um sopro...
um dia com tanto a saber a tão pouco

04 abril, 2015

03 abril, 2015

Sexta-feira Santa, a data em que Jesus passou a ser Cristo e eu passei a ter fé nas pedras

(29 março, 2013) 
"Eli, Eli, lama azavtani?"
É sem dúvida a Biblia um manual de maus costumes, como me lembram as palavras de Saramago (e que eu oiço aqui). A Bíblia diz que Jesus terá dito "Perdoai-lhes Pai, pois não sabem o que fazem". Tal não é expressão de cristão digna de um cristo que com seu gesto violento expulsa os vendilhões do templo. Eles sabem sempre o que fazem...
Contradições? Sim, daquelas que levam os povos à resignação. Bem fizeram os escravos e plebeus que não ligaram ao então dito, mas ao feito, ao se terem revoltado e três séculos depois terem imposto o fim do esclavagismo e a queda do Império Romano. De Cristo, prefiro recordar as últimas palavras, as humanas: "Meu Deus, porque me abandonaste?", sabendo que eu, enquanto parte do meu povo, não tenho perdão se aceitar os vendilhões do templo... 
Agora, que nos crucificam o país, teremos que esperar também séculos até à libertação? Talvez mais de três, pois estes sabem o que fazem enquanto nos entretemos com uma doce amêndoa... Não temos emenda.
(reeditado, do ano passado, com a devida actualização) 

01 abril, 2015

António Costa, depois de deixar a câmara para se concentrar só no PS, não perde tempo e surpreende tudo e todos com uma dinâmica nunca vista e com declarações inesperadas à imprensa

Num encontro que durou toda a manhã de hoje, marcado em rigoroso segredo (que o Partido Comunista respeitou), António Costa reuniu, a seu pedido, com Jerónimo de Sousa. À saída, os poucos jornalistas presentes conseguiram obter da parte do líder do PS breves, mas significativas declarações, no sentido de uma inflexão inesperada. António Costa referiu que a situação é complexa e não pode ser resolvida com disponibilidades de part time  na liderança do partido. Sobre a reunião com Jerónimo disse ter sido ainda inconclusiva mas que foram colocados alguns pontos de acordo e que foram agendadas várias sessões de trabalho  conjuntas, estando vários cenários em aberto. Instado sobre os pontos de entendimento, António Costa, respondeu indirectamente, referindo a necessidade de o PS se demarcar das posições de Holland, de Evangelos Venizelos e de Pedro Sánchez. "O PS só poderá aspirar a alterar a actual situação se estiver disponível para mobilizar a população portuguesa em torno de um projecto de negação consequente da austeridade, correndo todos os riscos que daí possam decorrer, incluindo o confronto com as instituições da União Europeia, reestruturação da dívida, saída do euro ou a violação das regras do tratado orçamental", disse o líder do PS surpreendendo todos os presentes. (ver comunicação integral). Interrogado Jerónimo de Sousa, este limitou-se a dizer:"Vamos ver, vamos ver!"
______________
Se chegou só agora, vem fora da hora. 
O dia das mentiras foi ontem...