04 abril, 2017

Ainda Amadou Hampâté Bá : “Cada ancião que morre é uma biblioteca que se queima”


Sobre as histórias contadas e vividas... 
«Nós as aprendíamos de cor e, se fossem belas, já no dia seguinte espalhavam-se por toda a cidade. Este era um aspecto desta grande escola oral tradicional em que a educação popular era ministrada no dia-a-dia. (...) Para as crianças, estes serões eram verdadeiras escolas vivas, porque um mestre contador de histórias africano não se limitava a narrá-las, mas podia também ensinar sobre numerosos outros assuntos, em especial quando se tratava de tradicionalistas consagrados. (...) Tais homens eram capazes de abordar quase todos os campos do conhecimento da época, porque um ‘conhecedor’ nunca era um especialista no sentido moderno da palavra mas, precisamente, uma espécie de generalista. O conhecimento não era compartimentado. O mesmo ancião (no sentido africano da palavra, isto é, aquele que conhece, mesmo se nem todos os seus cabelos são brancos) podia ter conhecimentos profundos sobre religião ou história, como também ciências naturais ou humanas de todo tipo. »
(in "Amkoullel, o menino fula" pag.174)

8 comentários:

  1. Parece que aqui no Barreiro, estão a tentar implantar a oralidade nas escolas.
    Sei que algumas pessoas idosas receberam um convite em outubro, para irem às escolas, dos netos, contar estórias aos miúdos do 1º ciclo.
    Também os pais receberam convites para irem às salas dos filhos falar da sua profissão e do que consta na prática.
    Um abraço

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    1. Transmita a quem vá uma escola as histórias de Amadou, e recomende que apenas e só no fim de serem contadas as revele como sendo oriundas dos povos de África... é que elas são de facto de toda a Humanidade

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  2. Há, sem dúvida, tesouros imensos na tradição oral de todos os povos!

    Abraço.

    Maria João

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  3. Sem dúvida. A história é contada taxa pelos anciãos
    Kis :=}

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  4. Esse era um conceito que tendeu a desaparecer, lamentavelmente.
    A sabedoria e a experiência de vida era verbalizada em belas histórias que os jovens ouviam deslumbrados.
    Muito bom que o Rogério traga estes temas.
    'Cada ancião que partia era uma biblioteca que se perdia'.

    Obrigada, Rogério.

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    1. Janita,

      Segundo narra a Elvira no Barreiro há um movimento de grande sabedoria...

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