27 março, 2017

Já leu o Tornado? Não? Espera o quê?

 

Lá, no Tornado, eu escrevo sobre os sucedâneos da Guidinha... e trago comigo José Gomes Ferreira, numa homenagem ao "pai" dela... 
Não leu? Espera o quê?

26 março, 2017

Na net, um amigo aparece e desaparece com a mesma emoção que causa uma bola de sabão. Só que o google fica baralhado



Sou mau faissebuqueano e essa displicência perante as redes sociais traça-me um perfil que o google custa a engolir. Outra coisa que dribla os mais sofisticados algoritmos e filtros é que eu considero todo mundo como sendo do meu "interesse" e isso confunde o algoritmo. O google desconhece a palavra "interessante", para o filtro o que conta é a palavra "amigo". 
Talvez por isso, quando entro, quase nunca cumprimento  e quando saio, nunca me despeço. 
Se aqui no blogger acham que tenho 400 amigos, esqueçam. O que tenho é a seguir-me 400 pessoas interessantes. 
Se no faissebuque tenho 998 amigos, esqueçam. O que tenho é essa imensa massa de gente que um dia resolveu bater-me à porta e eu abria-a. Depois não fui a casa deles e isso baralhou o algoritmo.

Contudo, sou amigo do meu amigo, mas o google não tem nada a ver com isso... 

NOTA IMPORTANTE: Pode encontrar legendas em português, procurando no canto inferior direito...

24 março, 2017

Falando de atributos de que antes nunca falara... quase não sobrou nada!


Lá em casa, para evitar a violência doméstica (ela é uma fera), deixei aprontada uma lasanha e fui, a correr, preparar outro prato, num outro lado onde tinha a cargo tarefas diversas, para além das de preparo de vasto repasto...
Uma tachada, da qual não sobrou quase nada.
Melhor que eu só um conhecido (e divertido) cozinheiro...

21 março, 2017

O meu armário, ao longo do tempo nunca teve esqueletos dentro

As Portas do Armário, Porfírio Pires,Óleo sobre tela
O Meu Armário

O meu armário
não é nem alto
nem largo
nem fundo
mas onde me vai cabendo tudo

Lá, fui guardando
cidades, aldeias, vilas
e todos os lugares por onde fui passando

Dentro do meu armário correm os rios
da minha infância
Dentro do meu armário
fui guardando afectos, angustias e medos
à medida que fui crescendo

O meu armário tem gente dentro
Muita gente, mesmo
Nos dias mais cinzentos
ou no decurso das lutas que vou travando
abro-lhe as portas de par em par
e tiro de lá uma espada, ou um pássaro
ou um sol
ou um grito
ou um sorriso
O meu armário, ao longo do tempo
nunca teve esqueletos dentro
Rogério Pereira

20 março, 2017

Porque me falas como se tudo dependesse da Primavera e nada dependesse de nós?

(reeditado)


DESERTIFICAÇÃO
Fala a pedra com a pedra: Onde a erva?
Fala a terra com a terra: Onde o húmus?
Fala a porta com a janela: Onde a gente?
Fala a parede com o sobrado: Tens saudade dos passos?,
onde pára o espanta pardais, esse espantalho de falsos braços
que afastavam os pássaros?
Onde param as searas? e as eiras? e os cantos? e o pão?
Flor? Que é uma flor?
Flor era essa coisa de pétalas e cor que tu trazes na memória
e que segundo o calendário do tempo devia povoar esses campos?
Árvores? Que é uma árvore?
Árvore era essa coisa de raízes, folhas, ramos, frutos
que juras te ter no passado dado meiga e fresca sombra?
Água? Que é a água?
Água é essa coisa que te molhava o rosto, a roupa o corpo
e que as escuras nuvens teimam levar para outro lugar?
Ah, meu amor, este abandono
Ah, meu amor, este deserto
Se cada um de nós somos três
porque me falas
como se houvesse apenas Minha Alma?
Porque me falas
como se tudo dependesse da Primavera e nada dependesse de nós?
Rogério Pereira 

19 março, 2017

Redacções do Rogérito (36) - "O dia do pai"


Hoje é dia do pai e a stora pediu que eu fizesse uma escrita em que reflicta porque é que eu acho que esta data é tão bonita e ela sugeriu que escrevesse sobre o significado do dia e é disso que eu vou escrever prometendo não divagar sobre o que pensaria e os palavrões que diria o senhor Anacleto lá da loja da esquina se o dia do pai não der para facturar aquelas bujigangas todas e mais os cartõezinhos cheios de desenhinhos de pais e de meninos mas também de pais com meninas pois ele sabe escolher a mercadoria em conformidade com a sua freguesia e se assim não fosse o senhor Anacleto seria apontado por não respeitar a igualdade de género.

Eu gosto muito do dia do pai pois se não houvesse dia do pai também não podia haver dia da mãe nem do avô nem da avó o que era muito mau para todas as crianças que assim teriam de ser todas institucionalizadas.

Mas o que eu gostava muito é que juntassem o dia da mãe com o dia do pai porque assim podia acontecer que ao festejarem pudesse haver mais meninos a nascer coisa que não vai acontecer se continuarem a separar os pais das mães e é por isso que há muitos divorciados.

Rogérito

17 março, 2017

A Sandra, a Cáritas, as "massas" e o jornalismo de investigação


Só para ouvir o responsável máximo das finanças da Igreja dizer o que disse já valeu a pena ter a Sandra "feito" o programa. Sublinho, do muito dito, duas afirmações: uma, a tranquilizadora, é que a Cáritas não coloca o pecúlio arrecadado em off-shores, pelo que se poderá considerar que a Igreja não se inclui no rol das entidades que lá meteram milhares de milhões; a outra, revela uma Igreja ingénua, possui uma fé tremenda na banca. Pelo meio fica aquela ideia de que os carenciados, por hábitos acumulados de necessidades, podem perfeitamente esperar (até indefinidamente) que o dinheiro renda, na presunção de que rende.

Contudo, não é exactamente isso da tal nega, enquanto podia, que me faz e trazer à liça o programa da Sandra. Nem sequer se trata de tanta história mal contada... A questão é outra.
É ou não, o que se está a passar no "Sexta às 9", jornalismo de investigação? Em rigor, fica a dúvida. A mim parece-me quase. E quase, é tanto!
Por este caminho, temo, que quando me levantar para aplaudir o programa deixe de existir...

16 março, 2017

Espiar, já não é o que era dantes. Hoje a tecnologia é que vigia, antecipando a sociedade dos deprimidos...










Toda a imprensa fez eco da noticia sobre o bla, bla, bla, do WikiLeaks e da CIA. Junta-se a este susto aquele outro dos servidores do Google e do Facebook vigiarem tudo, antecipado a sociedade dos deprimidos. Escrevi sobre isso um outro não citado artigo que terminava assim:
«...estou na lista. Se depois disto tudo me sinto seguro? Claro que não, mas se pensam que deserto por medo, “tirem o cavalinho da chuva”… Escrevo até que me doa o dedo!

15 março, 2017

Do fino traço ao escorreito texto, o retrato exacto (olha que dois!)


... e termina assim um primeiro texto que recomendo:
«O Rentes é careca. O Rentes é holandês. E fala como isso, como um skinhead  holandês. O Rentes diz cousas que eles nem pensam (eles não pensam) mas sentem; o Rentes fala-lhes ao coração.

O Rentes vota na extrema-direita. Não por convicção – diz ele – mas por protesto. Por reacção, portanto.»
... e o outro texto, ao nível da qualidade do seu traço:
«Entretanto, os democratas do PNR manifestaram-se à porta da Universidade. Contra o totalitarismo. Só visto.
Assim, para que aos arautos do livre pensamento único nunca lhes falte palanque para palestra, nem aos imbecis liberdade de expressão  a Associação vintecincodAbril, dirigida pelo inefável ex-capitão dabril Vasco Lourenço, sempre na defesa de todas as santas liberdades, incluindo a de expressão, já franqueou as suas portas ao Nogueira Pinto. Para que possa livremente expressar as suas ideias. Digam lá que não é lindo.
.
E estamos nisto.
Mas se foi para que Jaime Nogueira Pinto pudesse exprimir livremente as suas ideias que fizeram o 25dAbril, acho estúpido. Ele já tinha esse privilégio.»

14 março, 2017

Não, não é a fila para a compra da raspadinha...


Em 2012, segundo a Visão, a Santa Casa derramou no mercado mais de 270 milhões de bilhetes de raspadinhas, o que, contas feitas, dava 26 cartões por cada um dos 10 562 178 portugueses apurados nos últimos Censos.
Em 2015, a raspadinha registou um crescimento de 55% face a 2014.
Em 2016 não há números... mas, felizmente, ainda não é preciso ir para a fila às 7 da matina para comprar uma raspadinha.
Isto é, custa muito mais ser pobre do que custa candidatar-se a ser rico...

12 março, 2017

Geração sentada, conversando na esplanada - 92 ("Fascismo? Ná!... Não há riscos disso...")

“O [Donald Trump] esteve estupendamente. Os americanos voltaram a controlar o seu país e ofereceram uma nova era ao mundo. Oxalá cá chegue”.
Rafael Pinto Borges, dirigente da Nova Portugalidade 
"Mas, felizmente, não vejo a acontecer aqui um fenómeno do estilo Marine Le Pen. Não há indícios. Não sei a que se deverá isso, mas é uma sorte. Os portugueses não gostam de arriscar, receiam que qualquer mudança os vá prejudicar. Se nos mantivermos numa temperatura média, talvez escapemos.
Maria Filomena Mónica,  entrevista à Visão

Quando julgamos ir ser recebidos com cumprimentos efusivos, "olás" festivos ou mil sorrisos, esqueçam. Nada disso aconteceu com o meu regresso à esplanada. Foi como se lá sempre tivesse permanecido ou nunca lá tivesse ido. Ia eu pensando nisso, sem saber como satisfazer o ego, quando a Gaby deu por mim.
- «Seja bem vindo! Como tem passado?» E sem esperar resposta, «Sabe? o seu "Conversa" tem sido, domingo a domingo, tema para a nossa tertúlia, aqui na esplanada. Há pouco recebi uma mensagem da Teresa a alertar-me para o post de hoje e a dizer que não ia poder estar. As outras já se foram e o Engenheiro não tem aparecido...» Ia eu a dizer já nem sei o quê, a Gaby não me deu espaço - «Sabe o que eu penso? Se não fosse o seu Partido a extrema direita já estaria aí  em peso!» e continuou, atrapalhando-se nas palavras, como se estivesse a recuperar tempo perdido - «Também estou a lê-lo no jornal Tornado! E só lhe digo, sou professora de Português e nunca tinha ouvido falar de Maria Lamas!» e continuou, sem se calar. 
Para mim próprio repetia palavras acabadas de lhe ouvir, "se não fosse o meu Partido..." E nada de águas tépidas, como previne a Filomena Mónica. É nelas que a besta cresce!

11 março, 2017

Na manif do MDM: I´m a celtic man


Disparava fotos a torto e direito. Aquela, outra, esta. Primeiro no Rossio, depois Rua do Ouro fora. Animava-me a alegria. Os rostos, sorrisos ao ritmo dos bombos. A confiança estampada nos rostos. Cantares alentejanos e, logo de seguida, saxofones e trompetes numa miscelânea de encher a alma. A dada altura, quando passavam pandeiretas e gaitas, foi interrompido na minha tarefa de reportar. 
- Are you portuguese? 
- Yes...!
E ela olhava-me muito corada, com olhitos muito brilhantes de exaltação ou o que queiram pensar de alguém que comovida não sabia o que se estava a passar e me abordava para saber o que era... 
(o diálogo segue-se em português, pois de inglês mal sei uma palavra, quanto mais escreve-la) 
Dizia-me ela:
- Sabe?!, eu sou inglesa e eles estão a tocar... musica minha
( nessa altura as gaitas de foles, agudaram os decibéis)
Respondi eu:
- É tanto tua como nossa, no norte de Portugal a influência celta é enorme. 
- E o que se passa aqui? A que se deve o protesto? Isto é uma manifestação, não?
(nessa altura, as palavras de ordem eram de luta)
- É uma afirmação da disposição para a luta. Comemora-se o Dia Internacional da Mulher!
- E há tanto homem... é bom ter tal apoio e suporte.
(despedimo-nos com sorrisos, e ela foi contar ao marido o que eu lhe tinha dito)
A seguir, mais cantares alentejanos.
Meu Sangue Mouro e Minha Alma Celta  gostaram e meu Coração Luso acelerava à medida que o desfile passava.
Vinte mil? Mais? Menos?
Que importa ao certo?, se eram tantos e tant@s:
homens, mulheres, crianças.

10 março, 2017

«Artº 46º - Liberdade de Associação nº 4 - Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista.» in "Constituição da República Portuguesa"

“O [Donald Trump] esteve estupendamente. Os americanos voltaram a controlar o seu país e ofereceram uma nova era ao mundo. Oxalá cá chegue”.
“passo a passo, documento a documento, Trump vai tornando o mundo mais limpo. Só podem agradecer-lhe os patriotas de todas as longitudes”
Rafael Pinto Borges, dirigente da Nova Portugalidade 
Raramente fulanizo as questões quando elas assumem a escala que as projecta para além do individuo. Fulanizada a questão do impedimento do Jaime Nogueira Pinto, até juntaria a minha veemente indignação à recusa de um direito fundamental e não a deixaria de considerar um grave atentado à liberdade de expressão.

Desfulanizada a questão como tem vindo a ser posta e comentada e considerando que o facto fundamental foi ter-se retirado tribuna a uma organização neo-fascista o caso muda de figura. Se foi este o entendimento da Associação de Estudantes, eu não só a entendo como estou do lado da sua decisão. E por razões explicadas por medo. Isso mesmo, medo.

Quando, em 1976, os constituintes redigiram a nossa Constituição preveniam no seu texto limitações ao regresso do fascismo. Era, então, considerado tal regresso um risco. Hoje, bem o sabemos, o risco é ainda mais elevado. Dai o meu medo. E medo tanto maior quando verifico que numa instituição com cerca de 5000 alunos, são poucas as dezenas que participam no órgão máximo da estrutura da sua Associação. A quebra na intervenção cívica, a alienação, é o terreno mais fértil para fazer crescer "a besta". O resto fá-lo a imprensa, as dezenas de politólogos, comentadores e... até jornalistas.

E se a Constituição consagra direitos, é de protege-los. Se ela também enquadra defesas, aplique-mo-las.  


09 março, 2017

Rescaldo do dia 8 - Exibição de Marcela Temer depois do discurso do seu marido.


Segundo o site "Carta Capital" «... O discurso durou pouco mais de 10 minutos e foi proferido no Palácio do Planalto, na presença de figuras como a ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, a secretária nacional de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes e a advogada-geral da União, Grace Mendonça. A primeira dama, Marcela Temer, também esteve presente, mas falou por menos de dois minutos.» 
Marcela apareceu depois a exemplificar como é que a mulher consegue, de forma eficiente,  trabalhar mais sete horas e meia do que o próprio Presidente. 

Disse ainda a dona, que quando ela se deita ele já ressona...

08 março, 2017

Maria Lamas e Rita Rato - outros tempos, a mesma luta

Comemorou-se hoje o 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, da mulher trabalhadora, como bem se refere aqui, lembrando que esta comemoração, iniciada em 1909, teve a sua origem no seguimento de lutas laborais das mulheres e foi impulsionada por mulheres socialistas, como Clara Zetkin e Alexandra Kollontai, como um dia de luta por melhores condições de vida e trabalho das mulheres, pelo direito de voto, pela igualdade entre homens e mulheres, e pelo socialismo.
Desde aquela data, muitas (e muitos) se bateram por aqueles valores e o citado artigo traça uma evolução histórica de tal luta.

Eu resolvi assinalar o dia lembrando uma figura nossa por ter sido noutro lado lembrada em termos que, para mim próprio, acrescentam detalhe ao meu conhecimento:

A condição da mulher
está de tal forma ligada aos problemas fundamentais da humanidade
que não será possível separá-los. 
(Maria Lamas, A mulher no Mundo, Vol.I: 577)

Num (belo) texto evocativo, Lídia Borges começa por palavras inauditas de um deputado no Parlamento Europeu, o mesmo que foi hoje citado por uma continuadora da luta de Maria Lamas, na Assembleia da República:

07 março, 2017

Faltam só seis dias e nada (que eu saiba). Mas ainda estão a tempo...


No próximo dia 13 termina o prazo para a consulta pública de um documento produzido por um grupo de trabalho, iniciativa do Ministério da Educação, e que se designa por “Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória”. Atento, eu tenho-o lido e analisado. De modo muito simples e resumido, diria que se trata de levar as antigas brincadeiras de rua para a sala de aula e levar a sala de aula antiga para o recreio. Tudo isto porque aprender a brincar é (pode ser) um caso muito sério.

Assim, faltam apenas seis dias para a comunidade educativa se pronunciar. Tenho procurado, procurado, mas acho que as vozes a que dava crédito têm estado caladas que nem pedras tumulares. O blog Terrear, de um prestigiado professor, limitou-se (até hoje) a editar o documento, sem o comentar. Outro, o Vox Nostra, depois do Crato ir dar uma volta, coincidência ou não, "fechou" a porta... O carismático Paulo Guinote, da Educação do Meu Umbigo, deixou-se disso.

A imagem? Ah, a imagem! Sem saudosismo vos digo, aquilo era mesmo a sério: Primeiro escolhíamos as equipas, tendo o cuidado de distribuir os leves e os pesados, de forma a que estes não ficassem só de um lado; a seguir negociávamos as regras; o passo seguinte era tirar à sorte quem primeiro "amouxava"; depois era jogar. E o jogo era um gozo. Uma das regras mais criativas era pôr os debaixo a dizer piadas... e se algum dos de cima mostrasse os dentes ou risse `"a bandeiras despregadas" perdia a jogada... outra regra, era não aleijar... e que o fizesse deliberadamente era excluído, sem poder ser substituído.

Se hoje também deve ser assim? Claro que não, aquilo era no tempo de escassez de recursos e de grandes carências na educação.  Hoje há mais oportunidades, e pelos vistos...

06 março, 2017

Como se tudo dependesse da Primavera - III (Classe Média - versão actualizada)


CLASSE MÉDIA
(Cinco anos depois)
Temendo o transito, o marido
já tinha saído
Pôs agua a correr, em temperatura amena
Preparou o que vestir, a roupa interior, o top de renda
e aquela saia rodada
A banheira transbordava

Escoou-a um pouco para que lhe coubesse o corpo
Como sempre fazia, estendeu-se, languidamente,
deixando que o morno, lhe acalmasse a pressa
Voltou a não esquecer os sais com odores de flores
E assim ficou, como sempre, longos minutos
até despertar para o tempo
em gestos resolutos
Não massajou o cabelo, antes o soltou
e usou o habitual champô 
Passou pela pele o creme de amêndoas
e no rosto o costumado anti rugas, levemente aromatizado

Vestiu-se, fez o penteado
Olhando-se de perfil, detrás e de frente
Treinou um sorriso confiante
Na cozinha, ligou a chaleira
Mas hesitou, entre o chá e a prateleira
onde, alinhados, estavam os iogurtes, ricos em bifidus
muito coloridos
e açucarados
Optou, mais uma vez, pelo o de  morango aos pedaços
Esqueceu a tosta com doce de frutos silvestres
e não meteu na mala a caixa de chicletes
Antes de sair, abriu a janela
para que o sol entrasse por ela
Apressou-se, para não chegar atrasada
à esplanada

Chegou, gabaram-lhe  mil vezes o que trazia vestido
a elegância, os cheiros, o penteado e o sorriso
E entrou na conversa sobre os horrores da violência doméstica,
a banalidade dos saldos, o preço dos salões de estética
dissertando, de seguida
sobre as agruras da vida
pelos inconvenientes de se ter um filho,
e nesse ponto preciso
surge-lhe uma mensagem

«Querida, o contrato foi renovado
mas passei a trabalhador precário»

Pela cara dela, perguntaram-lhe o que era
Respondeu - Um anúncio parvo
enviado através do Sapo

Tranquila,
levantou-se e foi buscar uma raspadinha
Rogério Pereira

05 março, 2017

Um dia de trabalho... que passou pela visita a um projecto que trago "debaixo d´olho"


Hoje, o jornal "Tornado" publicou colaboração minha. Sob o titulo "Oeiras longe de ser uma ilha de bem-estar" deu parte, a porventura mais dramática e surrealista, da visita. A visita reuniu um grupo de eleitos, activistas e simpatizantes da CDU, que percorreram cinco das dez freguesias do Município de Oeiras. Foi um dia inteiro, a percorrer Algés, Cruz Quebrada, Linda-a-Velha, Queijas e Carnaxide. O objectivo visou conhecer situações, para depois reflectirmos sobre elas e, na altura certa, elaborar os Programas Eleitorais... 
Nenhum compromisso será assumido por decisões tomadas fora de um colectivo em que cada um não saiba, exactamente, do que fala.

No inicio da manhã, levados ali para conhecer uma aberração urbanística, exemplo do que um arquitecto jamais deverá repetir e uma autarquia nunca mais deverá poder licenciar - a rua Margarida Palla é uma floresta de blocos de 10 andares, pejada de acessos sinuosos de múltiplos lances de escadas, degraus e outros obstáculos que tornam dolorosa a mobilidade - "encontrámos", no percurso, o CAFÉ MEMÓRIA.  

Ando com este "CAFÉ" metido, há muito, na cabeça. Já lá tinha ido antes com a minha Teresa, para perceber se podia ser replicado. E pode. Vontade não falta e a necessidade é muita...


04 março, 2017

A minha neta cozinha melhor que a tua...


O meu genro fez um filmezinho que de pronto partilhei lá na minha página do fassebuque e onde acrescentei um texto assim:
 CINCO ESTRELAS MICHELIN
A minha neta, a Maria, merece hoje destaque
não só pela arte
mas pela concentração
posta na confecção

na técnica, sai ao pai
na concentração sai
....
ao avô
(não rima mas é verdade)
E aqui no meu "Conversa..." após um pequena provocação deixei dois caminhos para ir lá dar... e não é que... (ver comentários)

03 março, 2017

Hoje, uma exigência (à experiência)


Vá! Demonstre lá que só ler o título não chega. E que venha, só depois, o comentário
(se o caminho acima estiver interrompido, siga este)

02 março, 2017

Redacções do Rogérito (35) - "A livre circulação do dinheiro"

Tema da redacção: "A livre circulação do dinheiro"

Depois da lição de matemática podia ter vindo a lição de ciência mas a stôra quis que falássemos do dinheiro e da sua livre circulação pedindo para nós dizermos o que víamos de bom e de mau nisso dentro do nosso juízo e considerando a evolução do homem e da economia somando à nossa noção de livre circulação coisas morais de elogio ou de censura e eu por este inusitado tema suspeito que a stôra o deu porque ela própria anda baralhada com o que se anda a dizer por aí da massa que circulou para os ofechoras e de outras trapalhadas feitas pelo senhor Núncio que foi secretário e que não é o das touradas.
Indo aos primórdios da humanidade a economia primitiva funcionava à base de escambo que era a simples troca de mercadorias sendo que uma das de mais valor eram o boi o que para os dias de hoje é coisa impraticável de fazer circular pensando que numa sala de 100 metros quadrados como é a da suite 605 algures na ilha da Madeira é espaço muito limitado para por lá passar os bovinos amealhados pela Pepsi somados aos bois circulados pela Usal e pela Sonangol e por mais de de oitocentas empresas lá sediadas e foi porque a humanidade não conseguiu resolver isso que inventaram os paraísos fiscais os bancos as empresas com sede na Holanda e os secretários de estado das finanças.
Parecida com a Madeira porque funciona da mesma maneira há muitos outros locais e um deles de que gostamos mais fica num sítio chamado Panamá que eu ainda não sei onde fica pois só para a semana é que vai ser dada a lição de geografia e é para lá que vai saindo o guito sem que o Governo dê por isso pois a livre circulação tem esse requisito de os Governos não darem por isso.
O que eu gostava mesmo é que se voltasse à economia de troca pois seria impossível ao Estado ver passar uma manada de 10 mil milhões sem dar por nada.
A livre circulação do dinheiro é uma coisa muito boa eu é que não vejo um boi!

Me assino
Rogérito
(com os impostos em dia)

01 março, 2017

Mais uma pétala!

Cumprindo um ciclo, inverso ao das flores
ela acrescentou mais uma pétala
enquanto o tempo irá certamente desfolhando
a flor aí ao lado

todos sabemos não ser essa a regra
mas é assim que eu a vejo, nos olhos dela